::Tartarugas Ninjas - O Retorno - KOWABANGA!!! (nem isso eles gritam...)
Eu não me lembro muito bem de quando as Tartarugas Ninjas faziam sucesso, devia ter sei lá, meus seis, sete anos no máximo, mas sempre soube (desde essa época) os nomes de todos eles e tinha uma motinha do Leonardo e uma camiseta. O que já é bastante pra supor que foi uma febre, e nesses meados o mercado devia ser entumpido de produtos com o tema, assim como nosso bom e velho (?) Bob Esponja é hoje. E isso foi o suficiente pra vibrar e acompanhar cada noticiazinha, teaser, pôster que saísse sobre o Retorno das Tartarugas Ninjas. Era a volta! Durante muito tempo cogitou-se um novo filme, com novas idéias, com as tartarugas mais adultas, sem tantas piadinhas bobas, uma coisa pra quem já viu, querer rever e ao mesmo tempo algo novo pros filhos de quem já viu. Era empolgante acompanhar as notícias, e puxa, foi mais supimpa ainda a divulgação do longa: notícias de prédios pegando fogo e misteriosamente apagados, pizzas comidas pela cidade inteira, vultos estranhos! Mas não foi nem com essas expectativa que eu saí do cinema, foi quase. Foi quaaase, quase mesmo, só que faltou algo pra chegar lá. Quase 15 anos se passaram desde que as Ninjas apareceram pela última vez no cinema, e parece que se aproveitaram bastante disso, não perdendo tempo em responder as perguntas básicas: Quem são? O que fazem? Qual o nome deles? (Exceto pela péssima abertura Tv Globinho do filme...) Afinal, sabemos de tudo isso já! Ao invés disso, um narrador que explica em dois minutos como as Tartas são frutos de uma mutação, se dedicam a lutar contra o mal e blablabla. Em seguida, somos levados ao suposto vilão, um general que há alguns bons milhões de anos abriu um portal para outra dimensão, e aí ele ganhou vida eterna. Mãããs... (e sempre tem um mãs quando se trata de vidas eternas), pra isso ele teve que transformar seus companheiros em estátuas de pedra, além de libertar treze terríveis monstros enormes e feios na Terra. Agora, o portal está prestes a abrir novamente, e parece que alguém quer levar vantagem nisso. Ou pelo menos foi o que eu entendi. No mesmo tempo de toda essa estoriada de vilões, em suma: Leonardo se encontra afastado, treinando nas selvas da América Central. Com a ausência do líder, as outras Tartas meio que se perdem e vão cuidar das suas vidas; na cidade então começa a nadar bandidos de todos as espécimes, Leonardo volta, as Tartas renascem e batem nos monstros. Como dá pra notar, o conflito do filme não é nenhum exemplo de criatividade, chega a ser previsível, monótono até. Além disso, parece que há tantos personagens (Tartas, monstros de pedra, de não pedra, exército Ninja Tcha-tcha) que nenhum deles é realmente explorado, e em determinado momento, nem dá mais pra saber o que é quem, o que faz e se faz. E, no final das contas, é um saco ter a sensação de que só tem tudo isso de personagem pra se fazer bonecos pra criançada comprar ou sequência de séries na Tv Globinho. Aí que o negócio peca. Com um pouco de exceção do Leonardo (líder legal), e do Raphael (integrante questionador e revoltado), as demais tartatugas não se mostram, são meras partes do grupinho, não dá pra se identificar sabe? Não dá pra sair do cinema e dizer "Eu gosto mais do Michelangelo."; sobrando pra elas só a função de piadistas (ruins). Agora, pra parar de reclamar um pouquinho, o filme nos trás bons resultados em relação a animação, que é convincente, bem feita, assim como parece ser muito fiel ao que já estávamos acostumados a ver das Tartarugas. O cenário ajuda um pouco à nos trazer uma Nova York sombria, cheia de bandidos, mal cuidada. Com uma mão no dinheiro de Hollywood, parece que não se poupou esforços em texturas e estilos, ficando aqui uma pequena observação aos personagens humanos que ficaram meio apagados ao lado dos inumanos. O que me resta dizer sobre Tartarugas Ninjas - O Retorno, é que acabou não se distanciando nada do seu público alvo: as crianças. Não sobrou quase nada das Tartas que estava acostumada a lembrar, com personalidades fortes, debochadas, engraçadas. Com alguma sorte, teve seu saldo positivo, compensando a falta das "raízes" com a animação bem feita e a atrativa. |